Senador Sarney: Dois anos depois

No final da primeira metade de 2009 o senador José Sarney teve mais de 15 minutos de fama. Na verdade, nunca teve tanta fama em um curto espaço de tempo, mesmo tendo uma longa carreira política. Mas não foi a fama e notoriedade que sempre desejou estabelecer: de um democrata republicano. Desejo que fica evidente nas páginas das suas sucessivas biografias ou quase-auto-biografias. Páginas feitas para revelar que, na sua teima, sempre falta ele dizer o que já disse de si mesmo em benefício de sua biografia. Como já foi dito, o senador ambiciona entrar para a história como um democrata-republicano.

Porém, 2009 veio como aquela pitada de veneno com pimenta, sem recortes… O período foi dramático para o senador que, já idoso, apareceu em sessões do Senado tomando medicação e com a mão direita bastante trêmula, particularmente diante das sucessivas acusações e escândalos que envolviam seu nome e de membros de sua família.
Os atos secretos – coisa nada republicana – tornaram-se o assunto principal do país. As acusações contra o senador Sarney foram divulgadas nacionalmente e de forma exaustiva por todas as mídias. Acabou tendo repercussão na imprensa internacional.  Algo “nunca antes” ocorrido na vida pública do senador, pois as denúncias dos seus opositores maranhenses nunca ultrapassaram os limites da ilha de Upaon-Açu.
Pois bem, dois anos já se passaram e tudo está como dantes… As acusações feitas, na época, eram:
  1. Usar ato secreto para a nomeação do namorado de sua neta;
  2. Obter favorecimentos através de atos secretos;
  3. Favorecer o neto em operações de empréstimo consignado a funcionários do Senado;
  4. Desviar recursos públicos na Fundação Sarney e de mentir ao negar ter ligações com a administração da Fundação José Sarney;
  5. Omitir casa de R$ 4 milhões da Justiça e de ter conta ilegal no exterior, gerenciada por Edemar Cid Ferreira;
  6. Vender terras nunca registradas em seu nome, evitando o pagamento de impostos;
  7. Ter se beneficiado na operação Boi Barrica. A operação da PF investiga seu filho, Fernando Sarney;
  8. Favorecer a empresa de seu neto em operações de empréstimo a funcionários do Senado, e a que o acusa de ser condescendente com a publicação de atos secretos;
  9. Usar os atos secretos para conceder benefícios e aumentar salários;
  10. Usar o advogado do Senado no Supremo Tribunal Federal em ação envolvendo causas próprias;
  11. Ter mentido, ao negar ter ligações com a administração da Fundação José Sarney.
Mas, como sabemos, o senador Sarney, por decisão de maioria,  não foi investigado e as acusações foram definitivamente arquivadas. Mesmo diante do bravo esforço dos que queriam desarquivar as cinco representações.

                                                                    ”
Os que votaram a favor da manutenção do arquivamento
” 
Wellington Salgado (PMDB-MG)
Almeida Lima (PMDB-SE)
Gilvan Borges (PMDB-AP)
João Pedro (PT-AM)
Inácio Arruda (PC do B-CE)
Gim Argello (PTB-DF)
Delcídio Amaral (PT-MS)
Ideli Salvatti (PT-SC)
Romeu Tuma (PTB-SP)
Os que votaram a favor do desarquivamento
Demóstesnes Torres (DEM-GO)
Eliseu Resende (DEM-MG)
Marina Serrano (PSDB-MS)
Sérgio Guerra (PSDB-PE)
Rosalba Ciarlini (DEM-RN)
Jefferson Praia (PDT-AM) “

Além desse arquivamento, o senador Sarney foi alçado à condição de Cidadão Incomum pelo presidente Lula. Era pouco, é lógico, para bancar a des-ofensa o senador foi reeleito para a Presidência do Senado. Não só eleito, mas eleito com 70 votos dos 81 votos possíveis.
Lembrando que foi registrado dois votos brancos e um nulo. O adversário só recebeu 08 votos.
Toda essa história serve para dizer que Sarney é um situação nacional. Portanto, o Brasil não se pemedebizou, mas se maranhensezou. Sarney estabeleceu, em patamares contemporâneos, a sinergia  entre todos os mandões do Brasil!
O PMDB foi e é um consórcio de várias “coisas”, de vários arquétipos da vida social brasileira, nunca foi e não pode ser estritamente um partido. Enquanto ethos encontra sua raiz na cultura mandonista.
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Do blog de Francisco Araújo – Sociólogo e Cientista Político.Associado da Sociedade Brasileira de Sociologia(SBS) e da Associação Brasileira de Ciência Políitca (ABCP). Professor universitário. Doutor e mestre em Sociologia (UNESP).
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Sobre São José dos Basílios

A equipe de autores deste blog são os(as) pacato(as) cidadãos(ãs) de São José dos Basílios que moraram/moram na cidade, mas que vivem inconformados com os desmandos que ocorrem na sociedade local, temos a pretensão de ser advogados do povo desfavorecido e que oferecem este espaço para informar os leitores locais, maranhenses e brasileiros sobre atualidades locais e regionais, fatos noticiosos que geralmente não são divulgados na grande mídia do clã Sarney.
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