São José dos Basílios, uma cidade amedrontada

Por Josué Moura
Como Editor do Jornal  da Folha do Maranhão Central visitei o município, ouvi moradores e lideranças políticas sobre a morte de Chico Riograndense e como fica a conjuntura política local. Até agora a polícia não conseguiu desvendar o crime.
Encravado entre pequenos morros na região central do Maranhão, São José dos Basílios é um município rural brasileiro, carente, onde a presença do poder público em todas as suas esferas deixa muito a desejar. Quem chega à São José dos Basílios tem a impressão de estar em um lugar onde o tempo parou.
Desmembrado de Presidente Dutra, São José foi criado pela Lei Nº 6.156, de 10 de novembro de 1994, naquela onda que vez por outra emerge no Maranhão para satisfazer – na maioria das vezes – interesses eleitoreiros dos políticos.
Naquele ano foram criadas várias unidades administrativas sem nenhuma condição de infraestrutura, passando então São José  a existir como município, mas sem deixar de ser um lugar pobre no meio do nada a espera das políticas públicas que até hoje nunca chegaram.
Como uma praga, tanto ali como na maioria desses novos municípios quase sempre assomaram ao poder políticos inescrupulosos, corruptos e despreparados. O jovem município pouco avançou, apenas prevaleceu o nepotismo e o cumpadrismo, deixando de fora a maioria do povo, que carente e escravizado, se contenta em ficar apenas com as migalhas que sobram do enriquecimento de seus governantes.
Chico Riograndense
A  população, estimada segundo o censo 2010 em 7.496 almas, como descreví acima, é pobre, ordeira e servil, como retrata a música “Admirável gado novo”, de Zé Ramalho, um povo amedrontado e sem perspectivas, principalmente com o fato recente que abalou a cidade, o assassinato do ex-prefeito Chico Riograndense, motivo principal da nossa reportagem que esteve em São José no dia 11 de janeiro.
Prefeito João da Cruz
Logo que chegamos, por volta das 10:00hs, procuramos o prefeito, João da Cruz, o “Joãozinho das Crianças”. Fomos na Prefeitura, porém não havia ninguém para nos receber, mas com a colaboração de um vigia descobrimos o endereço do prefeito. Fomos à casa dele e através de um pedreiro que ali se encontrava fazendo uma reforma fomos informados que João da Cruz se encontrava em São Luís.
Ficamos perambulando pela cidade, tentando envão “tirar leite de pedra”, ou seja, ouvir alguém disposto a falar o que pensa sobre o fatídico acontecido com o homem que talvez voltasse em breve a ser o mandatário muncipal, já que segundo seus seguidores era imbatível como candidato a prefeito.
“Uma tragédia, não esperava que alguém tivesse a coragem de fazer isso com ele. Chico tinha seus problemas, mas não pensava que um dia seria vítima de um crime assim”, disse o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais e pré-candidato a vereador  Telêmaco Barbosa de Carvalho, informando que faz parte da oposição aos dois grupos majoritários da cidade, mas que nunca desejou uma coisa dessas. “Gostaria de um dia vê-lo derrotado, mas era nas urnas e não assim como fizeram com ele”, completou.

Assim como todas as pessoas que conversamos informalmente, Telêmaco no entanto não acredita que o crime contra a vida de Chico Riograndense tenha motivação política/eleitoral.

Em seguida fizemos uma visita à Associação das Quebradeiras de Côco Babaçu e fomos recebidos pelo responsável, o agente da CPT(Comissão Pastoral da Terra), Robério, oposicionista ferrenho, tanto de Chico Riograndese como de Joãozinho das Crianças.
Para Robério, o quadro político no município é desanimador, a minúscula oposição de esquerda é fraquíssima  e não existe nenhuma perspectiva de mudança com os nomes já postos que são os do prefeito João da Cruz, do fazendeiro e comerciante João Barbosa e o nome a ser indicado pelo grupo do ex-prefeito assassinado, provavelmente um dos filhos.
“Todos eles desenvolvem uma política patrimonialista, longe das aspirações de mudanças que tragam paz, desenvolvimento e prosperidade para o município”, atacou.

Sobre o assassinato de Riograndense, Robério disse que como cristão lamenta a morte de qualquer ser humano. “A vida pertence a Deus e só ele pode tirá-la, portanto repudiamos qualquer forma de violência, seja lá contra quem for e esperamos que a polícia do Maranhão esclareça esse crime, consiga encontrar os culpados e colocá-los atrás das grandes, trazendo assim a tranquilidade para os moradores desse município”, disse Robério.

Por telefone, conversamos com um dos filhos de Chico Riograndense, o popular Maurício. O mesmo nos informou que a família ainda não se reuniu para discutir como será daqui pra frente em relação ao grupo político deixado pelo seu pai e uma provável indicação de um candidato a prefeito na eleição deste ano em substituição ao ex-prefeito.
“Ainda estamos muito abalados com a morte de nosso pai e não sentamos para discutir sobre os rumos que iremos tomar, mas uma coisa é certa, não ficaremos de fora.”, disse Maurício, deixando no entanto escapar que caso alguém da família seja indicado pelo grupo como candidato a prefeito o nome será o do seu irmão mais velho, Walter.
Sobre o crime de que foi vítima seu pai, Maurício disse que não tinha também nada a dizer. “Quem está à frente desse assunto junto à polícia é a minha irmã, a advogada, Tâmara Carvalho. Nossa reportagem tentou em vão  conversar com Tâmara, mas a mesma não foi encontrada.
Quando estávamos fechando esta edição conversamos por telefone com o delegado regional de Presidente Dutra, Dr. Edimar e o mesmo disse que ainda não tinha nada que pudesse ser divulgado a respeito das investigações que envolvem o assassinato de Chico Riograndense, apenas adiantou que em breve será divulgado o retrato falados dos assassinos.

Sobre São José dos Basílios

A equipe de autores deste blog são os(as) pacato(as) cidadãos(ãs) de São José dos Basílios que moraram/moram na cidade, mas que vivem inconformados com os desmandos que ocorrem na sociedade local, temos a pretensão de ser advogados do povo desfavorecido e que oferecem este espaço para informar os leitores locais, maranhenses e brasileiros sobre atualidades locais e regionais, fatos noticiosos que geralmente não são divulgados na grande mídia do clã Sarney.
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Uma resposta para São José dos Basílios, uma cidade amedrontada

  1. Solange Freitas disse:

    Também li a reportagem do jornalista Josué Moura, gostaria de saber porque o blog não a publicou na íntegra?
    Queria dar uma informação e sugerir que seja publicada neste blog que acredito ser idôneo e comprometido com a verdade e com o povo de São José dos Basílios: no Jornal Pequeno, edição publicada no dia 15 de fevereiro de 2012, há uma pequena reportagem que fala sobre o CASO RIOGRANDENSE – Morte e Mistério de J.M. CUNHA SANTOS. A sociedade precisa saber e esse é o papel da IMPRENSA.

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