Não queremos esmola, porque nós somos gente


Esta noite do dia 23 de julho, com certeza, vai ficar marcada na historia de Alto Brasil, povoado do município de Grajaú. De fato estamos travando uma luta impar contra a total irresponsabilidade deste Estado do Maranhão para com a educação do seu povo. Neste povoado, como em inúmeras escolas do Ensino Médio do interior, ainda não teve sequer um dia de aula; e estamos falando, no nosso caso, de bem 274 alunos abandonados à mercê do nada.

Depois se implementam belos programas governamentais, para tirar os jovens das drogas ou para discutir sobre a falta de sentido na vida dos jovens de hoje; mas até que este Estado continuar a tratar estes jovens e suas famílias como mera massa eleitoral e força braçal para trabalhar como escravos nas empresas do agronegócio, até que o Estado mantiver estas atitudes, com certeza, irão aumentar sempre mais estes problemas.

Contudo, nestes dias, estamos assistindo a um pequeno milagre: o nosso povo de Alto Brasil está tomando consciência de sua dignidade e não aceita mais de ser enrolado ou mandado como se fosse uma massa de coitados. E esta noite tivemos um sinal bem claro disso.

De fato hoje, notem bem, só hoje 23 de julho, apareceu o Diretor responsável do Colégio para dar satisfação aos pais e aos alunos, acerca desta falta de aulas, absolutamente inexplicável, para um Estado que quer se chamar de democrático. Já esta demora destes funcionários, em chegar até aqui, revela com quem estamos lidando.

Não contentes disso, estes funcionários chegaram contando conversas bonitas, só para se livrar das suas responsabilidades e para jogar sempre a culpa “em outros”. Mas o ápice do absurdo foi quando os ditos funcionários, sem nem ouvir o que nós pensamos, fizemos e propomos até agora, bom, sem fazer nada disso, eles, arbitrariamente, mandaram os alunos se apresentarem amanhã para assistirem às aulas, quando faltam ainda cinco dos dez professores previstos; ou seja para eles o povo de Alto Brasil é um povo de coitados, que não merece um ensino de qualidade; alias são tão coitados que deviam aceitar qualquer esmola, com a perspetiva de terminar mais um ano, sem receber as aulas de algumas matérias ou colocando notas na caderneta sem nenhum conteúdo adquirido.

Mas esta vez o povo levantou a cabeça e disse não! Não à esmola, não as migalhas! É melhor continuar lutando e sofrendo, até que os nossos direitos sejam reconhecidos, que ser maltratados deste jeito.

Os ditos representantes do Estado foram embora indignados, porque talvez não têm costume a se confrontar democraticamente com o povo; por isso ficaram sem chão e só souberam reagir com este desprezo. Mas nós não precisamos ser reconhecidos por eles, para ter noção de quem somos e do que queremos: nós temos um Pai no Céu que nos ama tanto, que vai estar ao nosso lado até que conseguirmos nossos direitos de Filhos.

Marco Bassani

É Padre Italiano, Coordenador Diocesano de Pastoral da Diocese de Grajaú e Admiminstrador da Quase Paróquia Nossa Senhora da Conceição, Povoado Alto Brasil, município de Grajaú-MA.

Sobre São José dos Basílios

A equipe de autores deste blog são os(as) pacato(as) cidadãos(ãs) de São José dos Basílios que moraram/moram na cidade, mas que vivem inconformados com os desmandos que ocorrem na sociedade local, temos a pretensão de ser advogados do povo desfavorecido e que oferecem este espaço para informar os leitores locais, maranhenses e brasileiros sobre atualidades locais e regionais, fatos noticiosos que geralmente não são divulgados na grande mídia do clã Sarney.
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Uma resposta para Não queremos esmola, porque nós somos gente

  1. ana lucia disse:

    Eu tiro meu chapéu para esse padre. Dom pedro não quis, vai demorar perceber a falta que ele faz ao lado dos marginalizados. Esse realmente tem amor ao evangelho.

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